Crescimento dos furtos em Campinas reforça o papel essencial do porteiro nos condomínios

Crescimento dos furtos em apartamentos em Campinas reforça os riscos da portaria virtual

Foto: Reprodução/EPTV Campinas

O crescimento dos furtos em apartamentos em Campinas acende um alerta importante sobre a segurança nos condomínios e evidencia um debate que vem ganhando força nos últimos anos: a substituição do porteiro por sistemas de portaria virtual.

Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) mostram que os furtos em apartamentos cresceram quase 13% em 2025, passando de 85 ocorrências em 2024 para 96 registros no ano seguinte. O aumento é mais acelerado do que o observado em outros tipos de imóveis e reforça a vulnerabilidade dos condomínios verticais.

Quando considerados também furtos em casas e veículos, Campinas registrou 1.053 ocorrências em 2025, contra 1.028 no ano anterior, confirmando uma tendência de crescimento dos crimes patrimoniais na cidade.

Golpes, engenharia social e ausência humana
Casos recentes mostram como os criminosos têm se aproveitado de falhas no controle de acesso e da ausência de uma presença humana preparada na portaria. Em um dos episódios, uma enfermeira teve o apartamento completamente revirado após criminosos se passarem por familiares em uma ligação telefônica para a portaria.

O relato escancara um ponto central: o crime está cada vez mais sofisticado, utilizando engenharia social, informações privilegiadas e tecnologia, o que exige atenção, percepção e decisão imediata — capacidades que nenhum sistema virtual é capaz de substituir integralmente.

Especialistas em segurança patrimonial alertam que criminosos monitoram rotinas de moradores por redes sociais, observam movimentações e se passam por visitantes ou entregadores. Diante desse cenário, o preparo de quem atua na portaria é decisivo.

Porteiro não é custo. É proteção.
Diferentemente da portaria virtual, o porteiro profissional treinado:

Observa comportamentos suspeitos;
Reconhece moradores e rotinas;
Questiona, confirma e bloqueia acessos;
Age de forma imediata em situações de risco;
Atua de maneira integrada com síndicos, moradores e forças de segurança.

A substituição do porteiro por sistemas eletrônicos transfere a segurança do condomínio para centrais remotas, muitas vezes distantes, com operadores que não conhecem a realidade local, os moradores e as particularidades do prédio.

Palavra da presidente do SINCONED
Para a presidente do SINCONED, Maria José, os números confirmam aquilo que o sindicato vem denunciando há anos:

“Esses dados deixam claro que segurança não pode ser tratada como mercadoria barata. A portaria virtual vende uma falsa sensação de proteção, enquanto elimina o principal elemento de segurança dos condomínios: o porteiro. Onde não há presença humana, há vulnerabilidade.”

Maria José também reforça o papel social e estratégico desses profissionais:

“O porteiro é muito mais do que alguém que abre e fecha portão. Ele é o primeiro filtro contra golpes, invasões e crimes. Defender o porteiro é defender vidas, patrimônio e tranquilidade das famílias.”

A presidente ainda critica a lógica de economia a qualquer custo:

“Economizar colocando tecnologia no lugar do trabalhador tem um preço alto. E quem paga são os moradores. O aumento dos furtos mostra que portaria virtual não substitui vigilância real.”

Segurança de verdade passa por pessoas
O SINCONED reafirma sua posição contrária à portaria virtual e segue defendendo:

Valorização do porteiro profissional;
Treinamento contínuo;
Contratação regular e responsável;
Condomínios mais seguros e humanos.

Diante do avanço da criminalidade e da digitalização dos golpes, retirar o fator humano da portaria é fragilizar a segurança. Tecnologia deve ser aliada — nunca substituta — do profissional que conhece, observa e age.

Porteiro é segurança. Porteiro é prevenção. Porteiro é essencial.

Fonte dos dados: Reportagem EPTV Campinas.